Não Foi Só Um Golpe
Foi a tentativa de apagar uma mulher. Mas a voz permanece.
A violência doméstica não termina no dia da agressão.
Ela continua viva nas marcas, nas dores que insistem em ficar, e nas audiências que revitimizam.
Ela se repete nos laudos, nos adiamentos, nos corredores de fórum em que a vítima precisa provar, outra vez, o que o corpo já disse de forma irrefutável.
Meu nome é Gabriela Abreu.
Durante anos, vivi uma relação marcada por controle, humilhação e violência psicológica — até que um único golpe, preciso e quase fatal, fraturou meu rosto e mudou para sempre a forma como eu vejo, falo, mastigo e existo no mundo.
Comigo a violência doméstica não terminou quando o agressor me deu um golpe quase fatal.
Ela continua dia após dia… na dor crônica do maxilar, na limitação ao falar, no desconforto ao morder uma simples maçã.
Ela continua nos gatilhos.
No corpo que lembra.
Na alma que tenta esquecer.
Mas este não é um espaço de dor.
É um espaço de reconstrução.
Aqui, eu transformo experiência em palavra, palavra em consciência, consciência em caminho.
Porque o que eu vivi poderia ser apenas mais um número nas estatísticas.
Mas eu escolhi fazer diferente: eu escolhi contar.
Este espaço é:
Memória — porque o que é lembrado não pode ser negado.
Voz — porque aquilo que tentaram calar agora fala.
Prova — porque minha história está registrada nos autos, nos laudos e no meu corpo.
Rede — porque ninguém atravessa a cura sozinha.
Se você chegou até aqui, talvez esteja:
• reconhecendo sinais
• procurando respostas
• tentando respirar
Então eu te digo, com toda a verdade do que ainda pulsa:
Eu sobrevivi. Você também pode.
E juntas — vivas, conscientes e inteiras — seguimos.
Bem-vinda.
Você não está sozinha.